quinta-feira, 5 de abril de 2012

Por que não gosto de relacionamentos virtuais

Lá abaixo, resposta dada a uma amiga que me enviou um link com um texto sobre um estudo a respeito dos relacionamentos virtuais

Ela ressalta o seguinte trecho:

"Relações amorosas na contemporaneidade e indícios do colapso do amor romântico (solidão cibernética?)

(...)

O consumismo, decorrente do impacto da cultura narcisista, reforça a valorização excessiva do corpo e seus estereótipos veiculados pela mídia; a necessidade de aquisição de bens para complementar a fantasia narcísica e o uso de drogas, lícitas e ilícitas, para fugir do stress cotidiano, problemas de comunicação interpessoal (como as pessoas estão 'ensimesmadas', têm dificuldades de falar de si e se fazer compreender pelo outro), problemas financeiros e até suportar a própria solidão. Em decorrência de tudo isso, as relações afetivo-amorosas passam a ser fugazes e, mesmo que mantidas, somente enquanto for conveniente para ambos, girando em torno de momentos de conjugalidade e individualidade, prevalecendo à busca do incremento profissional pessoal, o que a fidelidade sexual ou a não exclusividade podem ser opções dos membros da relação.

Neste sentido, a promessa do amor romântico seria falha porque não abarca todos os pré-requisitos característicos e parece-nos não acompanhar as transformações dos novos modelos de comunicação e de relacionamento pela volubilidade, superflexibilização características. Em termos da relação cibernética, o que parece atrair os indivíduos é justamente a possibilidade de criar uma realidade imaginária. Em termos psicológicos, a sala de chat pode ser considerada como uma sala de espelho onde o usuário expressa aquilo que ele expressaria para si, ou seja, ele fala para o outro, mas psicologicamente fala para si, principalmente se não houver evidência física desse outro e se este for um desconhecido. Isso reforçaria a expressão progressiva de conteúdos privados, na perspectiva de salvaguardar sua auto-imagem. No fundo, a relação virtual (amorosa ou não) parece manter uma solidão intrínseca, do sujeito para si, quando ele se projeta naquilo que crê ser agradável para outro, mas que na verdade parece esar mais voltado para si, demonstrando uma alienação de si que, embora evidencie o seu próprio eu, não permite uma entrega autêntica ao outro."

Eu lhe respondo:

Pelos chats o indivíduo se relaciona, antes da comunicação, com sua escritura... a manifestação não é automática como na fala, o indivíduo tem tempo de se colocar diante de seu ato de enunciação, ou seja, produz enunciados carregados de significações que visam a construção de um sujeito, e esse sujeito é o "outro eu" criado pelo indivíduo que escreve. Assim, a escrita é um outro meio de relacionamento: são sujeitos construídos que se relacionam... vide os romances epistolares que conhecemos, como em "Emile et Sophie", de Rousseau e "As ligações perigosas" de Choderlos de Laclos. Cria-se uma atmosfera literária e romântica para uma situação por meio da escrita. Parece absurdo, ou coisa de quem faz letras, mas é verdade. rs.

Mais sobre a pesquisa em Revista Mal Estar e Subjetividade

Nenhum comentário: