o redondo branco do relógio vinha ultimamente me mostrando com efeito tal de fazer questão que mais e mais ele - o tempo - tenta escorregar a minha vida de cinco em cinco minutos, do 1 ao 12, um total de vinte e quatro voltas de 60 minutos.
assustada pela atrocidade do visor de meu relógio de pulso, que tinha um olhar mais penetrante do que um bruxo medieval ou uma cigana espanhola, tentei-me a encará-lo de maneira a enfrentá-lo, e assim parecia estar começando a vencer a batalha.
o painel branco do relógio pareceu ficar mais e mais branco. Quando dei por mim, já era um dos ponteiros, ou estava presa aos ponteiros. sei que já não me amedrontava com o olhar do painel deste meu relógio de pulso. sei somente que agora, tudo ao meu redor era branco, os números gigantes, e eu girava de sessenta em sessenta segundos. não era mais a sua dona. mas ele também não podia mais me encarar.
agora vivia dentro do relógio.
seria o atual momento a fúria do relógio contra mim, ou seria ainda eu quem tomara conta do tempo aprisionado pelo relógio, invadindo seu território, e nele fazendo-me tornar rainha?
o redondo branco me cerca. os números me cercam. estou pisando no branco do relógio. estou convivendo de igual para igual com seus 12 números estampados.
meu coração agora bate e soa um som parecido ao do motor do relógio. e ambos não são clichês, sendo incapazes de emitir som de tic tac ou tum tum. desconheço o seu som.
torno-me assim cidadã do tempo.
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