quarta-feira, 6 de junho de 2012

Odette descobre a fecundação

     Foi em certo dia errado que talvez deu na ideia do mundo conceber a vida feminina Odette. Dizem em algumas plagas do além do nosso parvo conhecimento que há dias em que Vênus come metaforicamente a Lua exercendo sobre a Terra raios desenfreados de hormônios femininos. Foi num dia como este que o mundo uniu forças para juntar forças diferentes que visavam fecundar o ser Odette. E Odette foi concebida, logo e em tempo hábil, vindo ao mundo como mulher.
     Quando criança acreditava pouco nas fantasias que lhe eram narradas. Não entendia como era filha de sua mãe e de seu pai. Em sua cabeça não se podia formar a imagem de dois seres diferentes, de sexos diferentes, gerar uma terceira vida que possuísse apenas um sexo. Aquilo ficara por muitos e muitos anos em sua cabeça. Metade de sua vida. Aos 10, ela já pensava ter passado sua vida completa se sentindo incapaz de desvendar tal problema. Não podia perguntar às suas amigas porque diziam-lhe que nesta ideia de como viemos ao mundo, querer desvendar tal segredo era cobrir-se por demasiado do mais vil pecado do monstro mais imbuído de demônios que se pode imaginar. Era em sua casa que lhe metiam estas ideias do mundo infernal na cabeça, sendo assim, também não podia, em própria casa, perguntar o que quer que fosse sobre a origem da vida.
     Era uma tarde de sol de um sábado qualquer da infância de Odette, ela devia ter algo entre 11 e 12 anos. A menina, deitada na relva, começou a perceber seu corpo em contato com a ponta de cada fio de grama. A petite mademoiselle deixou-se cair no deleite de sensação tão prazerosa e tão fácil de ser conquistada. Sentia entrepassar a renda de seu vestido cada espeto fálico da grama. O que sentia era um fio de corrente de sopro de ar tão difícil de descrever! Apenas sentia aquilo que a subia pela região logo acima de suas nádegas, espalhava-se de forma floral pelas costas e explodia na região da nuca, resultando em que todos os pelos minúsculos de seu corpo se arrepiassem como se quisessem fugir do fervido de calor do pequeno e feminino delicado ser.
     Odette não descobrira o mistério da vida, mas acabara de encontrar um jeito fácil de dar prazer a si própria.
     Passando o evento das gramas pontudas, outra coisa marcaria a vida de Odette: o dia em que pode presenciar sua mãe e a criada mexilhando uma na outra. A cena a que assistira havia se passado no quarto de sua mãe, um ambiente claro, bem iluminado e bem arejado, em tom de gelo, com cortinas beges bordadas com florezinhas douradas e azuis. As cortinas eram de uma leveza cândida e voavam quase livres com o vento que vinha do quintal e invadia o quarto onde se tocavam as excitadas amantes. A criada estava completamente nua e a mãe de Odette a beijava na vulva como quem chupa deliciosamente a mais doce e madura manga. Odette passava pelo corredor do quarto de sua mãe em hora inoportuna. Era para estar a receber lições de inglês, mas o professor mandara avisar que havia ficado muito doente das pernas e que por conta disso resolvera ficar em casa à espera de um médico que lhe pudesse receitar algo para melhorar. Odette esperava seu professor em sua sala de estudos, quando um rapaz chegou junto ao portão de sua casa para lhe trazer o recado sobre as pernas doentes de seu preceptor. Preocupada, Odette que teria duas horas seguidas de aula foi correndo procurar sua mãe para lhe informar a notícia. Como não a encontrara na sala de leitura, deduziu que talvez tivesse ido para o quarto. Enfim, chegamos à cena já conhecida: o beijo incandescente que sua mãe dava na vulva de sua criada. A mãe de Odette ainda estava vestida. A criada parecia, ora se sentir no mais puro momento de satisfação, ora mergulhada numa calma esplendente, que fazia parecer a quem estava de fora do contato físico do casal de amantes, uma calma de quem já estava habituada a receber os dados beijos.
     Odette fica quieta, não se manifesta, apenas permanece assistindo. A mãe da garota pausa os beijos e começa a correr a língua pela barriga da criada. Vai subindo até chegar na região dos mamilos. Com uma das mãos agrada um peito. Ao outro peito oferece beijos que não são beijos, são entrega à paixão carnal da mais linda espécie imaginável entre a humanidade. E as duas amantes eram de uma beleza singular. Corpos não perfeitos, mas nem gordos e nem magros. Peitos nem grandes nem pequenos. Suas cores eram de um leite roseado muito parecidos. Quando a mãe de Odette entrelaçou um de seus braços ao pescoço da criada e foi lhe beijar os lábios, os corpos se igualaram em posição formando uma escultura que fez reverberar na jovem menina que ali estava a ver tudo, a mesma sensação que sentia toda vez em que se deitava na grama a sentir as pontas fálicas e verdes a lhe cutucar coxas, nádegas e costas.
     Uma sensação.
     Uma lembrança.
   Naquele instante os olhos de Odette se encheram de lágrimas e um sentimento ébrio de um quê de felicidade tomou conta de sua cabecinha de aprendiz de ser humano: naquele momento descobriu por que somente as mulheres ficavam grávidas e tão mais juntas de seus filhos. Era por que somente mulheres podiam gerar, pois eram duas mulheres juntas que davam origem a uma terceira vida.

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