Neblina. Algo com que pouco e muito convivo. Símbolo de calmaria, embaçamento da visão, perigo de vida. Vivo o perigo. Entro na neblina. Afogo-me no meu sono duradouro causado pela constante insônia. Não durmo mesmo quando durmo. E nesse não dormir constante procuro a tranquilidade de descobrir aquilo que minha inteligência negligencia alcançar. De tanto intentar uma forma inteligente de pensar, vem o sono às vezes em hora certa. Mas não é o sono o problema, e sim o como saber fazer-se aquietar o espírito. Em tédio de não descobertas, penso na neblina física em que mergulho meu corpo físico. O que vejo é somente o que me mostra quão insignificante sou na condição de ser humano: apenas dez metros adiante. E penso na ganância de meu querer saber, uma vontade ingênua de querer identificar o porquê de estar exatamente aqui ou ali. Respiro embora não perceba. Ao perceber que respiro, percebo uma vida em sistema. Neblina. Do perigo e do baço busco, pois, a forma bela. Embora continue neblina.
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