Quando a incerteza do sentimento passa da ansiedade para a constatação, ou o indivíduo se permite curar e passa a viver bem, ou permite que o sentimento de tristeza outrora eminente agora se manifeste e tome conta da parte física, começando pela melancolia, passeando pelo choro e, em últimas consequências, levando a atos de lesão ao próprio corpo endógenas e exógenas.
A cura é algo que deve ser cultivado. Deixado de lado o cultivo, volta a instabilidade a se manifestar. Com a instabilidade dos sentimentos, o indivíduo torna permissiva a manifestação da "ex-curada" ansiedade. Assim, a ansiedade retorna devido à instabilidade do espírito (o de Hegel) que busca rotatoriamente o retorno da estabilidade, ou seja, o retorno a si, o retorno em si.
O retorno em si, ou seja, a estabilidade do espírito, pode ser ligado a uma ideia de que o espírito é capaz de encontrar estabilidade a partir do momento em que para de se questionar. Para que haja essa cessão de questionamentos, ou o indivíduo terá de abandonar as suas dúvidas, ou resolvê-las. Como a subjetividade das dúvidas é muito alta, a maior parte dos indivíduos parece optar por deixá-las à parte, acessando-as de tempos em tempos, a fim de tentar resolvê-las mais tarde em busca da "calma" e "final de buscas" do espírito. Pois abandoná-las ou resolvê-las é impossível. Os indivíduos que não conseguem deixar essa inquietação à parte têm a grande probabilidade de desenvolver estados de ansiedade e quadros de tristeza.
Entendendo o espírito como manifestações de dúvidas diversas do indivíduo, chega-se à conclusão de que o jeito mais simples de lidar com os questionamentos humanos sem auto-agressão, física ou psicológica, é escrever um poema e depois sair dar uma volta de bicicleta. Se possível, cair no mar e se lavar. Viver é uma coisa doce para quem permite.
Nenhum comentário:
Postar um comentário