sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Navegar é preciso

Encontro esconderijo dos loucos que me perseguem dentro da minha loucura que camuflo com mais doses de loucura e cobertura de máscaras sociais.

Danço esguia e com o sorriso em estampa de flores ao sol, meus sonhos malogrados escondem-se nas pétalas, querem desgarrar-se da realidade vil e lançar-se à sorte da brisa pandoresca.

Reflito o meu reflexo que reluz em uma bacia dourada, cravejada de diamantes oferecidos por um mundo turvo de cinzas de escapamentos de carros zeros e almas vazias.

Canto muda o meu canto, leio cega meus versos, corro amarrada atrás de meu sonho, choro sorrindo minhas dores.

Vivo apenas - é preciso que se navegue: o mar pode pegar.

Navego sem velejar, nado sem braços, não afundo, ainda resta-me o saber boiar.

Eis que do boiar surge a paz do silêncio - então o ouço:

O silêncio diz:

"arribe"
"corra"
"bata os braços"
"bata as pernas"

O silêncio grita:

"seu pai"
"sua mãe"
"suas sobrinhas"
"seus irmãos"
"seus amigos"

O silêncio implora:

"você"

Boio... descanso... nado... levanto, corro, sorrio - vivo!

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