Ou estou ficando meio velha de opiniões.
De tudo, estou há 5 anos por opção sem TV em casa. Assisto algo vagamente somente quando vou a Sorocaba. A atual novela mais assistida (pelo menos penso que seja) faz com que eu sinta vergonha alheia pelos atores. Cadê o senso do ridículo?
Enfim, acho melhor dormir. Prefiro dormir a pensar na "morte de la vache". Estou com medo do mundo, não quero sair da minha bolha, ela me parece mais real, apesar de 85% da população achá-la irreal.
Moral do post: enquadro-me na menor fração deste nicho irreal e descubro como sentir prazer. Louca, quem não é.
Resta-me sortear um número da biografia do inexistente existente Bernardo Soares. Vamos ver o que sai:
455 - "Todos aqueles acasos infelizes de nossa vida, em que fomos, ou ridículos, ou reles, ou atrasados, consideremo-los à luz da nossa serenidade íntima, como incómodos de viagem. Neste mundo, viajantes, volentes ou involentes, entre nada e nada ou entre tudo e tudo, somos somente passageiros, que não devem dar demasiado vulto aos percalços do percurso, às contundências da trajectória. Consolo-me com isto, não sei se porque me consolo, se porque há nisto que me console. Mas a consolação fictícia torna-se-me verdade se não penso nela.
Depois, há tantas consolações! Há o céu azul alto, limpo e sereno, onde bóiam sempre nuvens imperfeitas. Há a brisa leve, que agita os ramos densos das árvores, se é no campo; que faz oscilar as roupas estendidas, nos quartos andares, ou quintos, se é nas cidades. Há o calor ou o fresco, se os há, e sempre, no fundo, uma memória com sua saudade ou sua esperança, e um soriso de magia à janela do mundo, o que desejamos batendo à porta do que somos, como pedintes que são o Cristo."
Livro do Desassossego
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